O ataque terrorista praticado contra os Estados Unidos da América do Norte no dia 11 de setembro, fazendo ruir as torres gêmeas do World Trade Center, marcou uma nova etapa na maneira de protestar.
Sempre que ocorre um acidente dessas proporções, ou seja, um desencarne coletivo, no citado caso envolvendo mais de três mil pessoas, o plano espiritual prepara-se antecipadamente para o resgate das vítimas, cujo estado de perturbação varia de horas e dezenas de anos.
Os centros espíritas colaboram com sua parcela de ajuda nesses dramas, conscientizando as vítimas através de diálogos nas reuniões de desobsessão, local para onde converge muitos desses Espíritos trazidos por benfeitores espirituais. Como o Espiritismo tem sua prática generosamente instalada em terras brasileiras, contribuindo os outros países com insignificante parcela neste tipo de atendimento; como os Espíritos que trabalham para o bem e para a evolução da Terra não têm preferência por países; como a dor é entendida por qualquer linguagem e o amor não discrimina ninguém, natural que alguns Espíritos desencarnados e necessitados de atendimento venham a ser atendidos no Brasil.
De alguns que atendemos, chamou-me a atenção pelo estado de revolta em que se encontrava, alguém que estava trabalhando em uma das torres na hora do atentado e que perdera com ele, além do corpo físico, a riqueza, intransferível para o além túmulo, onde somente méritos e deméritos são credenciais para uma boa ou má acolhida.
- Terroristas malditos! Soterraram a minha alma! Como pode alguém invadir um país e tirar a vida de inocentes que trabalham?
Antes que o homem continuasse a emitir em sua revolta longos e cáusticos discursos, procurei lembrar que a calma e a moderação seriam excelentes auxiliares para obtermos maiores benefícios no atendimento que lhe prestaríamos.
- Infames! Como podem reduzir a fortuna de alguém a cinzas? Como podem soterrar a alma de um ser humano?
- Sua alma não está embaixo dos escombros. Nós a retiramos de lá. Você está em nossa casa, sendo tratado como nosso amigo, e ficará conosco, até que possa percorrer com lucidez os caminhos da fé e da esperança.
- Bonitas palavras! Mas eu quero minha vida de volta. Eu estava trabalhando. É certo que eu sou capitalista, mas criei empregos, pessoas alimentavam seus sonhos com os empregos que eu gerei. Quero minhas ações! Uma riqueza não pode ser transformada em fumaça por uns loucos que se acham prejudicados com a nossa política.
- Onde está, não necessita mais de riquezas materiais. Nada no mundo nos pertence, nem mesmo o corpo, que nos pode ser tirado a qualquer instante. Quem ficou na Terra, dará prosseguimento ao seu trabalho. Sua missão foi cumprida. Agora é tirar delas as lições necessárias para uma melhor harmonização com as leis universais.
- Fomos educados para sermos invencíveis. Sempre nos disseram que éramos invulneráveis, a maior potência econômica e bélica do planeta, e vem um miserável e nos rouba a honra, a riqueza, a vida.
- O seu país sofre de um complexo de superioridade muito exarcebado. Lembra-nos o Evangelho que, aquele que pretende ser o maior, que seja o que mais serve aos seus irmãos. O seu país também invade outros, promove fome e o desemprego em vastas populações. Quem age assim, invariavelmente cria inimigos e alimenta ódios, que um dia se volta contra si mesmo. Quanto ao destaque pelo título de potência bélica, desagrada a Deus, que quer a paz entre seus irmãos.
- Você ainda dá razão a eles? Mesmo diante de toda injustiça que sofri? Sou um cidadão americano! Qual é a sua cidadania? Seu país está à altura de nos enfrentar?
- Você não é mais cidadão americano. Suas ações e dólares não estão mais ao seu alcance. Não esqueça que o Espírito é um cidadão universal e em qualquer lugar que ele esteja, é o seu país.
- Mas, e a injustiça que eu sofri?
- Não há injustiça na lei de Deus. Quem me garante que você não fez pior em existências passadas?
- Você está querendo dizer que os hindus têm razão quando se referem à reencarnação?
- Sim. Sua última nacionalidade foi americana mas você pode ter tido outras mais humildes.
- Tinha um amigo hindu. Para mim, ele sempre pareceu um sonhador, com seus mantras e orações. Agora estou percebendo que devia tê-lo escutado mais. Aliás, sempre tive simpatia pela Índia, embora não adotasse seu estilo de vida.
- Pode aproveitar o tempo agora para estudar um pouco de sua filosofia. A Índia é o berço das religiões. Você esteve mergulhado no capitalismo. Deixe-se se banhar um pouco no espiritualismo, acredito que isso lhe trará um pouco de paz.
- Talvez aceite seu conselho, mas ainda estou muito perturbado em perder tudo o quanto tinha em alguns minutos.
- Você não perdeu nada. Tem sua vida, seus amigos, sua capacidade de trabalho. Isso é o bastante para construir a paz que precisa. Lembra-se de Thomas Carlyle?
- Sim. Ele escreveu uma grande obra sobre a Revolução Francesa e a sua governanta, pensando tratar-se de papel velho, lançou na lareira todos os seus escritos. Ele não desanimou e escreveu tudo novamente. Lembro até de uma frase dele: "Nenhum grande homem vive em vão. A História da Humanidade não é mais do que a biografia dos grandes homens". Às vezes, pensava em ser um grande homem, talvez por isso trabalhasse tanto.
- O seu país tem homens admiráveis. Um pouco mais de espiritualidade e ele estaria apto a ser exemplo para o planeta.
A revolta do homem foi se diluindo aos poucos, enquanto ele lembrava de frases do amigo hindu e de outros grandes vultos da sua terra. Ao terminar nosso diálogo, despediu-se, dizendo: "Vou construir tudo novamente! Desta vez, em outras moedas.
E se foi com mil planos de soerguimento.
(Do Livro "Doutrinação: A Arte do Conhecimento" - Luiz Gonzaga Pinheiro).
Enviado por Marluce Faustino/RJ
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