quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

THE DAY AFTER (O DIA SEGUINTE)

Por Manoel Trajano






Nada como uma Quarta-Feira de Cinzas para nos trazer de volta a realidade, após 6 dias de ilusão, de alegria e para muitos uma fuga efêmera de tudo aquilo que vivem nos demais dias do ano, muitas vezes motivados pelo alcóol, pelas drogas, pela violência, pelo sexo indistinto e sem amor, pela sensualidade e pelos cânticos de letras de música que seja de maneira clara ou subliminar, estimulam apologias a pedofilia, a pegação materialista e desrespeitosa que começa por quem também se propõe a isso, pois senão não estaria ali.

A população seja ela pobre,rica ou média mostra seu lado mais bárbaro e instintivo tais quais homens das cavernas no quesito higiene, limpeza, asseio, intolerância, troca de fluidos bucais e sexuais com outros que mal conhecem. Como disse um irmão amigo, nossa cidade de Salvador no trecho destinado ao turismo e alegria, mais parecia Porto Príncipe depois do fatídico terremoto. Pessoas dormindo nas ruas todos os dias tal como flagelados, sanitários químicos ignorados em nome do xixi nas esquinas, muros e sarjetas, a brutalidade de vigilantes de camarotes ante a presença de foliões fantasiados ou não ao som de trios elétricos movidos a energia natural de biodiesel ao que parabenizamos a Petrobras pela iniativa ecologicamente correta e inspiradora. Pena que os artistas e empresários dos veículos e blocos esbanjaram descaso por onde passaram, derramando restos de seus esgotos que deveriam ser destinados em local apropriado pela Vigilância Sanitária. Mas foi uma minoria, graças a Deus.

O Carnaval é ótimo para quem não mora no Circuito da Festa, que tem cerceado seu direito de ir e vir com as barreiras seletivas feitas pela Prefeitura e Policia Militar. Nos assusta com as mazelas sociais em que deixamos de lado nossas carteiras,documentos originais e carros e temos que nos adaptar com cópias de RG, um bocadinho de dinheiro escondido e o olhar alerta ante a possibilidade de sermos assaltados, mais do que no resto do ano. A estrutura é a mesma há anos e a populaçao aumentando assim como turistas. É preciso se rever o atual modelo de intervenção na Avenida Oceânica(Barra-Ondina) e Campo Grande-Avenida Sete. Não dá mais! A população local precisa ser ouvida em forma de consulta pública a despeito dos monstruosos interesses de hotéis e seus camarotes e empresários do ramo. Há outros locais em Salvador para desfile de Trios Elétricos. A imprensa não está nem aí para isso, pois é tudo festa para ela enquanto o dinheiro milionário entra em seus cofres e depois vem com hipocrisia dizer que está ao lado do povo.

Mas o dia seguinte também tem coisas boas, mesmo efêmeras. Há casais que se conhecem em meio a beijação e tentam continuar os encontros nos shoppings e bares após o furacão momesco. Uma raridade dá certo mas vale a pena tentar, é um momento gostoso de ser vivido, não vamos negar mas como disse uma turista paulista na TV "como disseram para mim, o que acontece em Salvador, fica em Salvador" ou seja ela mais uma daquelas que ou tá traindo o parceiro(namorado ou marido) ou já descarta a possibilidade de esperança de algo mais sério, ou seja, pode ser um deus grego e amável mas ela já descartou, como se o coração não tivesse voz prórpria ante a precaução teórica do cerébro. Segundo especialistas da área de Psicologia, 5% dos relacionamentos iniciados em baladas dão certo, daí o porque o ceticismo atual e o descarte prematuro tal qual habeas corpus preventivo (me libere por antecipação).

A cidade parece estar morta nos 10 dias que se sucedem as Cinzas, acredito eu que sejam consequencia do Fogo, dos incendiários do prazer, da luxúria, das danças do "balaio"ou "rebolation", o quem sabe "cuduro". Tivemos no meio de tantas loucuras, artistas conscientes como Carla Perez e Tatau que driblaram o efeito contagioso e serviram de exemplo ao negar cantar "Lobo Mau" ,inclusive pedido por crianças, canção essa com mensagem subliminar de pedofilia que muitos de nós condena e até quer linchar o praticante do delito, ignorando sua doença moral e passível de tratamento espiritual e pquiátrico. Anos atrás proibiram a música "Lança" que fazia apologia ao uso de lança perfume. Queremos liberdade irresstrita e inconsequente em nome de um falso moralismo que depois hipocritamente nos chocamos com o que vemos no noticiário de trágico enquanto não ocorre com nossos entes queridos e amigos. Temos que colocar freios sim, temos que filtrar o que nós ouvimos e o que nossos filhos ouvem.

Como disse o grande Gerônimo em sua última entrevista em A TARDE (veja em http://africapaz.blogspot.com/ e http://letrasquemarcam.blogspot.com/) "nosso Carnaval é um jovem agonizante..." em seus celebrados 25 anos de Axé Music que mais nada tem a ver com a inocência de Luiz Caldas e Sarajane que abriram as portas contra o preconceito para a vinda de Daniela Mercury, Chiclete com Banana e outros que tinham como pais os Novos Baianos,tais quais Moraes Moreira e nosso Rei Momo Pepeu Gomes.

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