quinta-feira, 13 de maio de 2010

<>SOBRE O USO DE PRÁTICAS EXTERIORES DE CULTOS NOS GRUPOS.<>





 

 
 

SOBRE O USO DE PRÁTICAS EXTERIORES
DE CULTOS NOS GRUPOS.
Allan Kardec in
VIAGEM ESPÍRITA EM 1862
http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/ViagemEspirita1862.pdf

Freqüentes vezes me tem sido indagado se é útil começar as sessões com preces e atos exteriores de culto religioso. A resposta não é apenas minha, mas também dos Espíritos que trataram desse assunto.
 
É, sem dúvida, não apenas útil, porém necessário rogar, através de uma invocação especial, por uma espécie de prece, o concurso dos bons Espíritos. Essa prática predispõe ao recolhimento, condição especial a toda reunião séria. O mesmo não se dá quanto às práticas exteriores de culto, através das quais certos grupos crêem dever abrir suas sessões e que têm mais de um inconveniente, apesar da boa intenção com que são sugeridas.
 
Tudo nas reuniões espíritas deve se passar religiosamente, isto é, com gravidade, respeito e recolhimento. Mas é preciso não esquecer que o Espiritismo se dirige a todos os cultos. Por conseguinte, ele não deve adotar as formalidades de nenhum em particular. Seus inimigos já foram muito longe, tentando apresentá-lo como uma seita nova, buscando um pretexto para combatê-lo. É preciso, pois, não fortalecer essa opinião pelo emprego de rituais dos quais não deixariam de tirar partido, para dizer que as assembléias espíritas são reuniões de protestantes, de cismáticos, etc.. Seria uma leviandade supor que essas fórmulas são de natureza a acomodar certos antagonistas. O Espiritismo, chamando a si os homens de todas as crenças, para uni-los sob o manto da caridade e da fraternidade, habituando-os a se olharem como irmãos, qualquer que seja sua maneira de adorar a Deus, não deve melindrar as convicções de ninguém pelo emprego de sinais exteriores de qualquer culto.
 
São poucas as reuniões espíritas, por menores que sejam os grupos, que, sobretudo na França, não tenham membros ou assistentes pertencentes a diferentes religiões. Se o Espiritismo se colocasse abertamente na área de uma delas, afastaria as outras. Ora, como há espíritas em todas, assistiríamos à formação de grupos católicos, judeus ou protestantes, assim perpetuando o antagonismo religioso que é missão do Espiritismo abolir.
 
Essa é, também, uma das razões pelas quais deve-se abster, nas reuniões, de discutir dogmas particulares, o que, necessariamente, melindraria certas consciências. As questões morais, entretanto, são de todas as religiões e de todos os países. O Espiritismo é um terreno neutro sobre o qual todas as opiniões religiosas se podem encontrar e dar-se as mãos. Ora, a desunião poderia nascer da controvérsia. Não esqueçais de que a desunião é um dos meios através dos quais os inimigos do Espiritismo buscam atacá-lo. É com esse fim que eles induzem certos grupos a se ocuparem de questões irritantes ou comprometedoras, sob o pretexto astucioso de que não se deve colocar a luz sob o alqueire. Não vos deixeis prender nessa armadilha! Sejam os dirigentes de grupos firmes na recusa de todas as sugestões desse gênero, se não quiserem passar por cúmplices dessas maquinações.
 
O emprego dos aparatos exteriores do culto teria idêntico resultado: uma cisão entre os adeptos. Uns terminariam por achar que não são devidamente empregados, outros, pelo contrário, que o são em excesso. Para evitar esse inconveniente, tão grave, aconselhamos a abstenção de qualquer prece litúrgica, sem exceção mesmo da Oração Dominical, por mais bela que seja. Como, para fazer parte de um grupo espírita, não se exige que ninguém abjure sua religião, permita-se que cada um faça a seu bel prazer e mentalmente, a prece que julgar a propósito. O importante é que não haja nada de ostensivo e, sobretudo, nada de oficial. O mesmo se pode dizer com relação ao sinal da cruz, ao hábito de se colocar de joelhos, etc.. Sem essa linha de conduta neutra não se poderia impedir, por exemplo, que um muçulmano, integrante de um grupo espírita, se prosterne e coloque a face contra a terra, recitando em voz alta sua fórmula sacramental: "Só há um Deus e Maomé é o seu profeta!"
 
O inconveniente não existe quando as preces, feitas em intenção de qualquer pessoa, são independentes de todo e qualquer culto particular. Dito tudo isso, creio supérfluo salientar o quanto haveria de ridículo em fazer-se toda uma assistência repetir em coro uma prece ou fórmula qualquer, como alguém me afirmou já ter visto ser praticado.
 
Deve ficar bem entendido que o que acaba de ser dito não se aplica senão aos grupos e sociedades constituídos de pessoas estranhas umas às outras, porém nunca às reuniões íntimas de família, nas quais, naturalmente, cada pessoa é livre de agir como bem entender, uma vez que, em tal ambiente, não se corre o risco de melindrar a ninguém.
 
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Com esta mensagem eletrônica
seguem muitas vibrações de paz e amor
para você
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 Enviado por Marluce Faustino/RJ

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