segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Transição - Parte 2 de 4




 


A Transição - Parte 2 de 4


A Transição - Parte 2 de 4


Estabeleçamos, em primeiro lugar, e como princípio, os quatro seguintes casos, que podemos encarar como situações extremas dentro de cujos limites há uma infinidade de variantes:


1° - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente;


2° - Se nesse momento a união dos dois elementos estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura;


3° - Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo;


4° - Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderá sentir os efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça.


Daí resulta que o sofrimento que acompanha a morte está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito e que tudo o que puder atenuar essa força, facilitar a diminuição desse estado, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, que, se o desprendimento se operar sem nenhuma dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável.


Na transição da vida corporal para a espiritual produz-se ainda um outro fenômeno de importância capital – a perturbação. Nesse instante a alma experimenta um entorpecimento que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as suas sensações. É como se ficasse, por assim dizer, em um estado de catalepsia, de modo que a alma quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro suspiro. Dizemos quase nunca porque há casos em que a alma pode contemplar conscientemente o desprendimento.


A perturbação pode, pois, ser considerada como um fato normal no instante da morte, podendo perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos. À proporção que se liberta, a alma encontra-se numa situação comparável à de um homem que desperta de um profundo sono: as ideias são confusas, vagas, incertas; a visão apenas distingue como que através de um nevoeiro, mas pouco a pouco se aclara, desperta-se-lhe a memória e o conhecimento de si mesmo. Mas isso de acordo com as situações individuais. Para uns esse despertar é calmo e proporciona uma sensação deliciosa, mas, para outros, é bem diferente, cheio de terror e angústia, semelhante a horrendo pesadelo.


O momento do último suspiro quase nunca é o mais doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em um momento de inconsciência e em geral a alma não chega a percebê-lo. Mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, durante as convulsões da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos pressa em afirmar que esse estado não é generalizado, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a união é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente, sem dificuldades; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule. É o caso das mortes calmas, de pacífico despertar.


A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o estado moral da alma. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria, que atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unicamente à vida e aos gozos materiais. Ao contrário, nas almas puras, que antecipadamente se identificam com a vida espiritual, o apego é quase nulo. E desde que a lentidão e a dificuldade do desprendimento estão na razão do grau de pureza e desmaterialização da alma, de nós somente depende o tornar fácil ou penoso, agradável ou doloroso, esse desprendimento.


Posto isto, quer como teoria, quer como resultado de observações, resta-nos examinar a influência do gênero de morte sobre as sensações da alma nos últimos transes.


- Texto retirado do livro "O Céu e o Inferno" - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. I

- Nota do blog Espírita na Net – Edição realizada dos textos retirados do livro "O Céu e o Inferno", das editoras FEB (40ª Edição) e LAKE (12ª Edição - Com tradução de J. Herculano Pires).




Enviado por Renata Ramos/BA
Grupo LUZ DIVINA/FEIS-Salvador-Bahia
 

 


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