sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mensagem 16/07/2011 - Pintura Mediúnica(FEIS-Salvador-Bahia)

Linda mensagem de um Espírito que viveu na Pituba,na região onde hoje se encontra a FEIS.Veja a narrativa da Bahia de outrora...

Trajano


Minha Bahia

 

Os trabalhadores associados à causa do bem são milhares, divididos em diversos núcleos espalhados pelo Brasil. Os que estão diretamente ligados a essa Casa fraternal são numerosos também. Além dos que mourejam juntos na esfera física, centenas de servidores se dividem em tarefas sem conta aqui no plano espiritual.

Esse que traça essas despretensiosas linhas na noite de hoje, conta-se entre os afortunados que devota seu tempo junto ao Amor e Caridade presididos por Scheilla.

Igualmente baiano, como a grande maioria aqui presente, desde a infância rendi-me aos encantos dessa terra maravilhosa, e não raro ainda sinto invadir-me um saudosismo bom, nas lembranças genuínas da passagem pela carne, quando vivi na saudosa Salvador. Nesse momento, deixo me levar pela tela do pensamento, regressando aos sítios de outrora na minha amada Bahia.

Hoje foi me dada à oportunidade de trazer aos irmãos um pouco de nostalgia. Sabemos que muitos jovens não poderão fazer distinção desse tempo antigo que vamos nos referir aqui, dificilmente registrando qualquer afinidade com as nossas deliciosas lembranças. Nada obstante outros já serão tocados pelos recortes, sensibilizados pela narrativa que trata da bela e pacata Salvador de antigamente e das lutas do Espiritismo na capital baiana.

Cidade das praias mais belas, Salvador têm crescido bastante com uma expansão imobiliária vertiginosa, assinalando os tempos do progresso financeiro, mas essa encosta banhada pelo oceano atlântico não foi sempre assim, agitada por essa correria desenfreada.

A serenidade era uma condição das coisas para quem vivia na Salvador antiga. Periperi ainda era local e reunião de veranistas, uma das mais belas paisagens da Baía de Todos os Santos, praia límpida e centro de entretenimento dos moradores e vizinhos do bairro.

A cidade toda mais parecia uma província bucólica, onde reinava a civilidade de um povo pacato, amorável e bem humorado. Um pólo de riqueza cultural enorme, com diferentes modos e costumes de vida.

Eram os dias primevos do Espiritismo baiano, que só encontrou guarida na sociedade através de muitas lutas desdobradas nos dois planos da vida. Ser espírita na Bahia católica de então não era fácil meus caros, as refutações e oposições eram muitas, foram homens valorosos esses os que lutaram para implantar e solidificar a Doutrina em nosso estado.

Por comprometimento e respeito é que destacamos com extremado carinho o amigo lingüista, poeta, jornalista, José Florentino, o tão conhecido Petitinga, que muito doou de si próprio, erguendo e divulgando o Espiritismo na Bahia, numa época difícil, quando o espírita tinha que ir escondido ao culto, calar-se diante da massa para não sofrer admoestações do povo insensível à luz que hoje se propaga Brasil afora, como expoente e verdadeira Pátria do Evangelho, coração do Espiritismo e do mundo.

Nosso saudosismo rememora a terra de antes, onde as bênçãos do Senhor matizaram-na de reconhecível beleza. A juventude era tão diferente da atual, os valores eram outros. A convivência era azeitada pelo calor humano da vizinhança amiga e cordial, todos se conheciam. Na Avenida Sete víamos as cadeiras postas do lado de fora das casas, onde as famílias sentavam para a conversação do final de tarde. A Barra não passava de uma zona de veraneio, onde a burguesia procurava descansar junto à brisa marinha que soprava do verão baiano.

Nessa estação o eterno cartão postal, o Farol da Barra, recebia os casais enamorados, que junto ao marco português assistiam embevecidos ao espetáculo sem igual do pôr-do-sol na Baia famosa de Todos os Santos.

Salvador era então cercada por grandes fazendas e sítios nessa minha época. As fronteiras da cidade chegavam até o bairro de Amaralina, onde existia uma grande fazenda, com uma bela lagoa, onde nadávamos e brincávamos quando criança ainda.

Depois a cidade foi espichando em direção a orla. A Pituba meus caros, onde hoje está fincada a sede da nossa querida Casa, não passava do mesmo modo de uma grande fazenda, que pertencia à família Silva, vinda de Minas Gerais. Hoje onde se encontra a Fraternidade Espírita Irmã Scheilla não passava de um embrenhado de mata, misturada a areia costeira, tendo até alguns rios já mortos.

Esse bairro que foi se dividindo, doada muitas terras a apropriação do município, hoje se traduz no grande pulmão comercial da cidade, com seus muitos e diferentes comércios, empresas, lojas e shoppings. Não obstante os avanços, essa desenfreada corrida financeira originou certo endurecimento a alguns corações, determinando assim a importância da FEIS nesse sítio econômico, para despertar aos esquecidos e dominados somente pela "ânsia das moedas", a verdadeira essência da vida, ressaltando a importância do real tesouro, o espiritual, única estima que deva ocupar o melhor dos espaços no cadinho do coração.

Revelando ainda mais nosso saudosismo, vamos em frente até voltarmos a rever o belo coqueiral de Itapuã. Centenas, milhares de coqueiros junto às areias alvas e tão finas das dunas, banhando de intraduzível beleza o caminho de difícil acesso ante o litoral turquesa do mar de Itapuã. Chegar nessa localidade se traduzia numa verdadeira viagem para o soteropolitano da época. E a linda lagoa do Abaeté, com seu cenário paradisíaco e suas lavadeiras a desfilar os lençóis alvinitentes, lavando-os e logo secando-os ao sol da areia límpida e branquíssima.

Regressamos a Rua Chile de outrora, a estreita e comprida rua onde a sociedade baiana vestia-se a moda européia para fazer o footing nas calçadas, de um lado e do outro da avenida, moiçolas, rapazes e famílias inteiras passeavam e sentavam nos cafés para prosear sobre a vida. De quando em quando o bonde cruzava os trilhos centrais da área mais chique da cidade e se ouvia sua sineta, silvo de lembranças de uma Bahia boêmia e tradicional que não existe nas recordações da juventude atual.

Saíamos ao encontro dos artistas, poetas, escritores e músicos no Largo 2 de Julho, que fervilhava nas madrugadas de uma Bahia cultural. A "Roma Negra" era então uma mistura de opiniões, de credos, de opulências, onde todos, ricos e pobres, deixavam-se levar pelo jeito baiano de ser.

Foi nesse cenário que a implantação de uma Federação Espírita na Bahia se deu com certa luta e muitas dificuldades. A igreja católica desde muito fizera as pazes com o "candomblé", mas não aceitava bem a Doutrina dos Espíritos e os combates que surgiram contra o Espiritismo foram intensos. A Federação depois de fundada teve que mudar de endereço muitas vezes, as perseguições não foram poucas. Um senhorio quando locava seu imóvel, logo era pressionado pelos católicos para não renovar o contrato.

Foram com muito empenho, civilidade e apoio coletivo que Petitinga conseguiu reunir forças junto a outros confrades para que o Espiritismo conhecesse a primeira sede própria da sua Federação, abrigada no largo em frente ao terreiro da Igreja de S. Francisco, onde até hoje as luzes do esclarecimento continuam a sobejar às consciências no mesmíssimo endereço citado.

Os confrontos a partir daí foram muitos. Considerado uma afronta a Igreja Católica, Espíritas eram acusados de feiticeiros, de praticar sortilégios e magias. Mas a luta da verdade tomou seu curso, chegando aos dias atuais, quando testemunhamos o Espiritismo chegar às telas televisivas, ao cinema, às rádios, as revistas, as matérias jornalísticas sem resistência alguma. Espipocam livros grafados a dupla mão, por médiuns que a serviço da Espiritualidade disseminam a mensagem do Consolador Prometido, que, como nos afirmam os Guias, tomará ainda nesse século a sociedade brasileira por completo, difundindo para o resto do mundo a mensagem da vida que não se extingue, da caridade, da fraternidade e do amor que redime.

Esse meus irmãos é o nosso mais valoroso trabalho junto a essa e qualquer outra instituição espírita; O trabalho da divulgação da Doutrina, para que as consciências empedernidas, as personalidades rudes e os corações revoltosos e insensíveis venham a tomar consciência da luz, esclarecendo-se no amor e na caridade.

Aqueles que visitam essa Casa, como aqueles que aqui trabalham juntos, devem ter esse propósito bem claro nos seus ideais, devendo buscar a Fraternidade não só para receber os eflúvios da boa energia que dela emanam, mas também, para serem células de testemunho da transformação que o Espiritismo ergue nas suas vidas.

Sendo assim, aproveitando as belezas de uma noite artística, pintamos com cores bem vivas e fortes o convite para que mais e mais pessoas encorpem e engrossem o corpo dos trabalhadores do Bem, a serviço do nosso Mestre e Amigo Jesus Cristo.

Do bom baiano, modesto trabalhador dessa Casa e amigo de todos...

 

Alfredo Dantas

Mensagem psicografada junto ao público no trabalho de psicopictografia da Fraternidade Espírita Irmã Scheilla em 16/07/2011

 





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