quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Espírito e O Tempo(José Herculano Pires)



Fonte: www.olampadario.com.br


 

O ESPIRITO E O TEMPO

Reler não é ler duas vezes, é ler sempre. E há obras que foram feitas para a releitura, por isso que, em relação a elas, nunca deveríamos dizer – Eu li – mas, estou lendo. Conta-se que Manuel Quintão, o velho Presidente da Federação Espíri-ta Brasileira, comentava de um espírita no Rio, conhecido por sua fidelidade ao Evangelho. Quando alguém, entusiasmado com um novo lançamento da então nascente literatura espíri-ta, chamava atenção do bom homem para o livro novo, inda-gando se ele já o havia lido, eis que sempre respondia:

 

"Ainda não, estou lendo o Evangelho". "Mas, Fulano, redarguia o ou-tro, você ainda não acabou de ler o Evangelho?" "Acabei sim, mas sempre que termino uma leitura, logo começo outra, me distraio e vou até o fim!"

Não conheci pessoalmente o bom ledor do Evangelho. Entretanto, não deixo de louvar o seu bom gosto e a pertinên-cia de sua opção.

Pois bem, hoje me refiro ao livro de J. Herculano Pires, "

 

O Espírito e o Tempo", editado pela PAIDEIA (São Paulo), para informar que, em primeiro lugar, é um dos livros que es-tou (re)lendo e, depois, todos devem ler, mesmo que o te-nham lido alguma vez.

Considerado pelos estudiosos da Doutrina como um dos dez melhores livros espíritas do Século XX, numa lista em que, apenas dois dos livros selecionados, foram escritos por autores vivos. Os demais são psicografados. O outro livro es-crito por autor encarnado é

 

"O Problema do Ser, do Destino e da Dor", de Léon Denis.

O livro é primoroso, dentro de uma obra primorosa como é a de J. Herculano Pires, seguramente um dos maiores inte-lectuais espíritas do Brasil. Herculano consegue ser abran-gente e profundo, ter a horizontalidade que empresta aos seus escritos enorme amplitude, sem deixar de ser vertical, intenso, quase esgotando seus temas.

Em seu

 

"O Espírito e o Tempo" apresenta uma contribui-ção definitiva para a compreensão do Espiritismo. Só por isso, o estudo desse livro é importantíssimo.

Está dividido em quatro partes. Na primeira, intitulada Fa-se Pré-Histórica, dedica-se a estudar o que classifica como horizontes da civilização, até chegar ao horizonte espiritual, que é o novo paradigma inaugurado por Jesus e completado pelo Espiritismo.

Na segunda parte estuda a Fase Histórica, um ensaio so-bre a emancipação espiritual do homem até o que chama de Falange do Consolador.

Na terceira parte, dedica-se à Doutrina Espírita. Parte do

 

"Triângulo de Emmanuel", promove um mergulho no conheci-do conceito de Ciência Admirável, estuda uma Filosofia do Espírito, apresenta um conceito de religião em Espírito e Ver-dade e conclui essa terceira parte com um estudo sobre o Mundo de Regeneração.

Dedica a parte final ao estudo da prática mediúnica, ter-minando por propor uma Antropologia Espírita. Trata-se, pois, de um estudo, indispensável sob todos os aspectos.

Para não deixar o leitor somente na esperança, vão al-guns conteúdos da obra. São alguns dos muitos conceitos so-bre o Espiritismo. Ei-los:

"O Espiritismo é uma doutrina do futuro. À maneira do Cristianismo, abre caminho no mundo, enfrentando a incom-preensão de adeptos e não adeptos."

"...a obra do Espiritismo é dupla: no plano terreno ela ten-de a reunir e a fundir, numa síntese grandiosa, todas as for-mas, até aqui dispersas e muitas vezes contraditórias, do pensamento e da ciência."

"O Espiritismo luta contra essa impregnação (do espírito a coisas materiais), libertando o homem do peso esmagador do horizonte agrícola, para conduzi-lo ao horizonte espiritual, que Jesus anunciou à mulher samaritana"

"...o Espiritismo, como queria Kardec e como sustentava Léon Denis, é o ponto mais alto que podemos atingir até hoje, em nossa evolução religiosa. Jeová, o deus agrário, transfor-ma-se no Pai evangélico, para chegar à Inteligência Suprema no Espiritismo. Jeová se depura, e com ele se depuram os ri-tos do culto, que por fim se transformam na adoração em ES-pírito e verdade de que fala Jesus."

"...os cristãos formalistas não compreendem a natureza e o sentido libertários do movimento espírita.

" O Espiritismo representa o triunfo decisivo da razão. Não sobre a fé, com a qual se estabelece o equilíbrio, mas sobre o dogmatismo fideísta, que em nome da última asfixia-va a primeira."

"Emmanuel classifica o Espiritismo como sendo a Renas-cença cristã."

"Os Evangelhos são a condensação clássica, equilibrada, das energias vitais do judaísmo, libertas e reelaboradas. A co-dificação de Kardec é a libertação romântica dos modelos clássicos. Em Kardec, o espírito rompe o equilíbrio clássico dos Evangelhos para se lançar acima do plano das formas e encontrar o plano da vida. Isso não quer dizer que o Cristo fosse formalista. (o formalismo das igrejas cristãs introduz apenas uma linguagem que tenta tornar compreensível o Evangelho numa época em que não havia o pleno entendi-mento do mesmo. Daí a promessa do Mestre de mandar, no tempo devido, o Consolador, que haveria de explicar o que não tivesse sido explicado no passado.)"

É só uma pequena amostra do que o livro representa.

Que façam todos uma boa e constante (re)leitura.

HUMBERTO VASCONCELOS

(Revista Espírita de Campos – edição de Abril/Maio/Junho

de 2012)

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