Centro Espírita Deus, Luz e Verdade.
Departamento Mediúnico
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Os Fluidos
1. Definições
“(...) Deus, Espírito e Matéria constituem o princípio de tudo que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido cósmico universal, que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela (...)” (01)
O fluido cósmico universal é o elemento primitivo indispensável à intermediação entre o Espírito e a matéria propriamente dita. Para tornar possível essa intermediação goza de propriedades comuns a ambos.
Pelas suas inúmeras combinações com a matéria, sob a ação do Espírito, é capaz de produzir a imensa variedade de corpos da natureza. “(...) Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos; o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou ponderabilidade, que é de certa maneira consecutivo àquele (...)”. (02)
O termo imponderável, etimologicamente, pode ser definido com o que não tem peso, ou não tem peso apreciável, mas para melhor definir a idéia do texto, podemos interpretá-lo como aquilo que não pode ser percebido por nossos sentidos ou que não pode ser detectado pelos equipamentos reconhecidos pela ciência oficial.
“Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível.
“No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado e matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotadas de propriedades especiais e dão lugar a fenômenos peculiares do mundo invisível”. (03)
Os diferentes fluidos no estado etérico, os denominados fluidos espirituais, podem ser considerados como a matéria do plano espiritual, e esta se apresenta em diversos graus de pureza e densidade.
“A pureza absoluta, da qual nada nos pode dar idéia, é o ponto de partida do fluido cósmico universal; o ponto oposto é o que ele se transforma em matéria tangível. Entre esses dois extremos, dão-se inúmeras transformações, mais ou menos aproximadas de um ou de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar de atmosfera espiritual da terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários à economia de suas existências (...)” (04)
2. Ação dos Espíritos sobre os fluidos
“Os Espíritos agem sobre os fluidos, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e vontade. ....Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades...(...)”. (05)
“É assim, por exemplo, que um espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época muitas encarnações. Apresenta-se com vestuário, os sinais exteriores – enfermidades, cicatrizes, membros amputados etc. – que tinha então... o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido”.(06)
“Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos que ele esteja habituado a usar”.
Assim como o ar é o meio no qual se propaga o som, os fluidos são o meio de propagação do pensamento, o qual lhes confere as qualidades em conformidade com o desejo do Espírito que os emite. Cada pensamento confere determinada qualidade aos fluidos. Como são infinitas as formas de se pensar também o são os tipos de fluidos, sendo impraticável classificá-los.
“(...) Os fluidos que envolvem os Espíritos maus ou os que estes projetam são, portanto, viciados, ao passo que recebem a influência dos bons Espíritos são tão puros quanto o comporta o grau de perfeição moral destes. (...)” (07)
“(...) Os fluidos não possuem qualidades sui generis, mas as que adquirem nos meios onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstâncias, suas qualidades são como as da água e do ar, temporárias ou permanentes, o que os torna especialmente apropriados à produção de tais ou tais efeitos (...)”. (08)
3. O perispírito – constituição e formação
“O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. Já vimos que também o corpo carnal têm o seu princípio de origem nesse mesmo fluido, condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispirítico e o corpo carnal têm pois ambos origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes”. (09)
“Do meio em que se encontra é que o Espírito retira o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito naturalmente variam de conforme os mundos”.(10)
“A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. (...)” (11)
Os Espíritos inferiores possuem um perispírito denso e grosseiro, o que os prende aos mundos materiais que habitam. A medida que o Espírito evolui, este se torna mais rarefeito e sutil.
O perispírito dos Espíritos superiores devido a sua leveza possibilitam viver em mundos de categoria elevada, bem como lhes confere livre trânsito nos mundos de categoria inferior à sua condição. Quando encarnam em um mundo nestas condições, retira da atmosfera fluídica deste, os elementos mais delicados para compor sua vestimenta. (12)
4. O perispírito como veículo de manifestação
O ser encarnado é constituído de Espírito, perispírito e corpo físico, sendo este último o mais grosseiro, mais resistente, adaptado a lidar com a matéria bruta, o que é necessário durante o período encarnatório. (...) “O perispírito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo. É o órgão de transmissão de todas as sensações. (...) (13) Quer partam do Espírito, quer venham do exterior, através do corpo físico.
“O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior, e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar mais ou menos. Daí se segue que pessoas há que, sem estarem em contato corporal, podem achar-se em contato pelos seus perispíritos e permutar a seu mau grado impressões e, algumas vezes, pensamentos, por meio da intuição”. (14)
“Por meio do perispírito é que os Espíritos atuam sobre a matéria inerte e produzem os diversos fenômenos mediúnicos.(...)” (15).
“Atuando sobre a matéria, podem os Espíritos manifestar-se de muitas maneiras diferentes: por efeitos físicos, quais ruídos e a movimentação de objetos; pela transmissão do pensamento, pela visão, pela audição, pela palavra, pelo tato, pela escrita, pelo desenho, pela música etc. (...)” (16)
5. Bibliografia
01. Kardec, Allan. Dos Elementos Gerais do Universo. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guilon Ribeiro. 72 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1992, questão 27, pág. 59.
02. Kardec, Allan. Os Fluidos. In: A Gênese. Trad. de Guilon Ribeiro. 26 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Item 02, pág. 273.
03. ___. Item 03, pág. 274
04. ___. Item 05, pág. 276
05. ___. Item 13, pág. 281
06. ___. Item 13, pág. 282
07. ___. Item 16, pág. 284
08. ___. Item 17, pág. 284
09. ___. Item 07, pág. 277
10. ___. Item 08, pág. 277
11. ___. Item 09, pág. 278
12. ___. Item 10, pág. 279
13. Kardec, Allan. Manifestações dos Espíritos. In: Obras Póstumas. Trad. de Guilon Ribeiro. 25 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1990. Item 09, pág. 44.
14. ___. Item 11, pág. 45
15. ___. Item 13, pág. 46
16. ___. Item 14, pág. 46
6.Questões
1) Poderia-se dizer que existe algum constituinte do universo que não seja uma transformação dos princípios espiritual e material, porque ?
2) É verdade quando se diz que qualquer objeto material que podemos ver ou sentir é uma transformação do fluido cósmico universal, porque?
3) Qual é o veículo que o pensamento se utiliza para se propagar?
4) Porque motivo os fluidos se tornam bons ou maus?
5) Caso uma pessoa esteja com raiva de outra, esta pode perceber, mesmo que a primeira não tenha se manifestado nenhum sinal do seu sentimento? Explique o fato.
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