terça-feira, 1 de junho de 2010

Quem foi Rabindranath Tagore






 



 

Rabindranath Tagore
1861-1941

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Nada, nada havia na literatura lírica que se assemelhasse àqueles poemas de inexcedível sensibilidade e beleza mística. Não se conhecia muito sobre o autor, mas a verdade é que ali estava um livrinho, quase um folheto - "Gitânjali", "A Oferenda Lírica" – que foi capaz de, por si só, arrebatar às demais obras literárias classificadas pela Academia Sueca ao Prêmio Nobel. E foi o que acabou por acontecer, a 13 de novembro de 1913, quase por unanimidade de votos. Depois o mundo literário veio, a saber, que o "Gitânjali" era apenas uma amostra da produção, escrita em bengali, do então desconhecido e mas já laureado hindu RABINDRANATH TAGORE.

Naquela época, uma nuvem escura envolvia nosso pobre planeta; uma atmosfera de ódio e incompreensão pesava sobre a humanidade: corriam os dias da primeira Grande Guerra Mundial. Mas, pela Divina Providência, mesmo nas entranhas do inferno vão os anjos despertar os corações sofredores e empedernidos, suavizando-os com o bálsamo do esclarecimento, a mostrar-lhes o Caminho da Redenção... Assim, das margens do velho Ganges ecoou para o Ocidente aquele canto suave, pleno de esperança, fé e amor, como se o rio sagrado ampliasse seu leito até o infinito, fazendo com que suas águas milagrosas passassem a lavar, também, o resto do mundo, ao som do borbulhar macio de sua correnteza e da música dolente e mística das flautas de bambu, tocadas às suas margens por devotos, em busca de Brahma.

Tivessem os responsáveis pelo sanguinolento conflito ouvido também aquele canto oriental de Tagore e a guerra não se teria travada, dando a humanidade gigantesco passo no caminho da evolução.

Os candidatos recomendados ao Prêmio Nobel, todos do mais alto nível intelectual, eram muitos naquele concurso, afigurando-se dificílima a escolha, antes de surgir, quase ao acaso, aquela delicada poesia, cheia de luz e encanto, há um tempo impetuosa e serena, vigorosa na fé e profunda na sabedoria. Os países civilizados fizeram-se representar, interessando-se alguns governos mais vivamente pelos respectivos aspirantes do seu pais à glória máxima. Tagore, todavia, não chegou a considerar seriamente as alusões que ouvia sobre suas possibilidades. Na tarde daquele dia 13, regressava de uma excursão com seus discípulos, quando foi abordado por um estafeta, que lhe entregou despacho urgente de Estocolmo. O Mestre, distraído, colocou-o no bolso e continuou a conversar com os alunos. Mas o funcionário do telégrafo insistiu em que o telegrama fosse aberto naquele momento. Foi então que os discípulos, jubilosos e emocionados, homenagearam seu Mestre, que, embaraçado na sua humildade e apanhado de surpresa, explicava que a distinção era feita à Índia e não a ele.

Tagore, dali por diante, passou a ser lido e conhecido pelos ocidentais como escritor de grandes méritos. Sua bagagem literária já era enorme àquela altura. Mais tarde somaria, sem contar as escritas diretamente em inglês, cerca de duzentas produções em língua bengali, entre poemas, peças teatrais, contos, romances, ensaios, artigos e conferências, girando sobre os mais diversos assuntos filosóficos, políticos, econômicos, sociais e religiosos. Mas sua grande preferência são os poemas sobre as belezas da natureza e sobre o amor. Até hoje ainda não foi possível editar suas obras completamente. Grande parte delas ainda permanece na língua original, o bengali, para ser traduzida.

Os méritos de Tagore não se resumem, porém, na sua vasta obra literária; ele realizou muito na sua elevada aspiração, sempre acima de preconceitos religiosos e sociais, preparando algumas gerações de moços para uma vida maior. Foi educador de milhares de jovens. Nele sobressaía, ao lado do escritor, humanista e pintor, o educador emérito. Em 1901 criou a famosa escola ao ar livre de "Shantiniketan", em Belpur, Bengala. Ali iniciou importante experiência educacional, observando linhas não convencionais de ensino. Mais tarde a escola veio a se chamar "VisvaBhrati", com a divisa: "Yatra Viscam bhavati Eka-nidam" (onde o mundo inteiro encontra seu ninho).

Como 13º filho do Maharshi Devendranath e neto do príncipe Dwarkanath Tagore, Rabindranath nasceu em Calcutá, Índia, a 6 de maio de 1861. Em sua terra natal deu os primeiros passos na educação escolar. Dotado de espírito inquieto e turbulento, não chegou a ser o que se pode chamar de excelente aluno na escola. Havia, para si um maior aproveitamento no próprio lar paterno, onde se desenvolvia um clima de elevada cultura e sadia religiosidade. Amava a natureza e revelava tendência contemplativa em tudo, numa idade em que a criança pensa somente em folguedos. Seu pai era respeitado como "Maharshi" (o santo) e fazia parte do movimento Brahmo Samaj, que era contra as separações dos indivíduos por castas e dava fé a doutrina do Karma e a reencarnação, iniciado em 1828 e que vinha revolucionando a vida religiosa da Índia, principalmente nas camadas mais cultas. Em 1839 Devendranath fundara o "Tatwabodhini Sabha", entidade destinada a divulgar a verdadeira religião hindu. Como se observa, Rabindranath nascera rodeado de um halo místico, que se revelaria em sua obra e nos seus ensinos.

Aos oito anos começou a transparecer nele a vocação poética. Sua primeira viagem foi um verdadeiro encantamento: visitou os Himalaias em companhia do pai. Em 1877 seguiu para a Inglaterra, a fim de estudar advocacia, mas acabou por dar preferência a um curso de literatura inglesa, na Universidade de Londres. Logo voltou à Índia, onde passou a escrever nos jornais e revistas. Embora sem o diploma universitário (um dos únicos ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura sem título acadêmico), não regressara de mãos vazias: ao seu ardor juvenil se juntavam agora novos conhecimentos e muita disposição para a literatura.

Voltou a visitar a Europa em várias ocasiões. Esteve também no Japão e nos Estados Unidos. 

Aceitou o grau de nobreza inglesa, em 1915, mas a ele chegou a renunciar, em sinal de protesto aos métodos empregados pelos ingleses na repressão de distúrbios verificados no Punjab. No exato momento em que seu país, sob a liderança de seu grande amigo, o Mahatma Gandhi, lutava pela libertação do jugo inglês, Tagore pregava a harmonia e o respeito entre os povos, concitando-os a criarem um órgão onde o saber e a boa-vontade haveriam de triunfar, unindo todas as raças e credos. Condenava a escravização imposta pelas nações fortes e recriminava a agressividade do Ocidente, mas, imparcial em seus pontos de vista, não poupava seu próprio povo da recriminação, ao vê-lo enveredar por caminhos perigosos, empolgado por excessos de nacionalismo. Num de seus discursos disse:

"Tudo que é grande e verdadeiro na humanidade está à nossa porta, como um hóspede pronto para ser convidado. Não lhe devemos perguntar de que país vem; devemos apenas acolhê-lo e oferecer-lhe o que possuímos de melhor."

Uma das grandes figuras da humanidade, verdadeiro gênio e profeta, Tagore desencarnou a 7 de agosto de 1941, na avançada idade de 80 anos, vividos quase que inteiramente para o aperfeiçoamento moral e cultural da humanidade.

Nelson Afonso Grupo Editorial Spiritvs, 1965.




Fonte: FEIS Informa
            Newsletter da Fraternidade Espírita Irmã Scheilla - Rua das Rosas,Pituba,Salvador - Bahia

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