quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fenômenos espirituais

 

Confira entrevista com o orador espírita Frederico Menezes

Publicado em 03.04.2010, às 08h22

Do Jornal do Commercio

Publicitário Frederico Menezes se dedica à psicografia e à psicofonia
Publicitário Frederico Menezes se dedica à psicografia e à psicofonia
Foto: Chico Porto/JC Imagem

O publicitário Frederico Menezes, 50 anos, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, é um dos principais oradores espíritas de Pernambuco. Com variadas faculdades mediúnicas, atua na assistência a pessoas em sofrimento, faz palestras e se dedica à psicografia e à psicofonia, que renderam livros e CDs. Fred também mantém um blog para discussão de problemas da atualidade. Na entrevista a Veronica Almeida, do JC, ele fala dos fenômenos espirituais, da influência de Chico Xavier na sua vida, do papel do futuro do espiritismo.

JC - Chico Xavier tem alguma importância na sua vida de médium e espírita? Teve algum contato com ele? As obras psicografadas por Chico ajudaram no desenvolvimento da sua mediunidade e na sua vida de espírita e de cidadão?

FREDERICO MENEZES - Sim. Chico é a inspiração de milhares de outros que se dedicam, não só á mediunidade mas também em qualquer outra atividade do amor. Além de ter sido o extraordinário médium que foi, representava o ser humano renovado, espiritualizado, que todos almejam ser. Tive o prazer de estar com o Chico Xavier em uma única ocasião quando estava proferindo palestras no triângulo mineiro no ano de 1999. Foi uma experiência ímpar, pela serenidade daquele homem magnífico, sua bondade natural. Suas obras significam para todos nós, que nos dedicamos à mediunidade, um roteiro seguro, tanto no que diz respeito à complexidade inerente à faculdade mediúnica quanto, sobretudo, a vida cotidiana, pelos exemplos dignificantes que os mentores espirituais nos trouxeram, em páginas memoráveis de luz. André Luiz tem a tarefa de nos apresentar a realidade do mundo espiritual, a vida após a morte com maiores detalhes, daí sua obra ser sempre um enfoque das dimensões da imortalidade e mostrando ocorrências de lá para cá. É também uma abordagem científica. Emmanuel nos traz a filosofia elevada dos espíritos e a religiosidade superior do cristianismo nascente, aqueles primeiros tempos da simplicidade e elevação de sentimentos que caracterizou a marcha dos primeiros seguidores de Jesus.

JC - Quando você se tornou espírita? Como descobriu a mediunidade?


FREDERICO MENEZES -
Venho de uma família com histórico espírita, desde os meus avós maternos, na década de 30, quando eles fundaram o primeiro cento espírita do Cabo de Santo Agostinho, Arautos da Verdade. Mas foi com 12 anos que li meu primeiro livro espírita, Nosso Lar, do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier. A partir daí, passei a me dedicar, durante a juventude, aos estudos da doutrina espírita, principalmente às obras de Allan Kardec e Chico Xavier. A mediunidade ostensiva apareceu naturalmente, aos 22 anos, quando já fazia parte da equipe do Núcleo Espírita Ismael Gomes Braga. Quando criança, porém, percebia presenças e sentia perfumes de natureza transcendente. Estou na tarefa espírita há 30 anos.

Os espíritos são seres independentes de nós e não estão submetidos aos desejos dos médiuns.



JC - O que é e como se processa a psicografia? Você tem consciência do que escreve no momento de recepção da mensagem? Sente ou vê o espírito que dita o texto?

FREDERICO MENEZES - A psicografia, assim como outras faculdades mediúnicas, sofre variações de médium para médium, porque se relaciona com as condições de cada um. No meu caso, sou semi-mecânico, ou seja, sinto um influxo de energia muito forte em meu cérebro e no braço. Não sei, de antemão, o conteúdo da mensagem, só percebendo à medida que o texto vai sendo construído. Às vezes, chego a visualizar o espírito que escreve. Ocasiões existem em que a escrita se dá através da inspiração e, em outras vezes, escuto a entidade comunicante ditando o seu texto.

JC - A psicografia se dá em hora marcada e de acordo com o seu desejo?

FREDERICO MENEZES - Os espíritos são seres independentes de nós e não estão submetidos aos desejos dos médiuns. O trabalho realizado com seriedade e com um sentido elevado é sempre tarefa marcada pela disciplina e respeito mútuo. Os bons espíritos sabem que temos obrigações humanas e, portanto, quando querem produzir mediunicamente, preferem um horário anteriormente acertado, quase sempre dentro das tarefas programadas na instituição espírita.

JC - As pessoas que frequentam teu centro pedem para você entrar em contato com parentes mortos?

FREDERICO MENEZES - Sim, é frequente essa solicitação. A ânsia natural de saber notícias de um coração querido que partiu para a espiritualidade é questão recorrente em nossos trabalhos, no entanto, procuramos explicar da complexidade desse contato, dos mecanismos e das leis que regem o fenômeno, pois muitos acreditam que basta ter um médium e a comunicação desejada se dá. É engano. Procuramos, no entanto, reconfortar esses corações e nos colocamos à disposição dos bons espíritos, objetivando, se possível, ser instrumento dessa mensagem esperada. Mas não é simples. O próprio Chico Xavier explicava isso, sendo que, de cerca de 100 pessoas que esperavam receber um contato, apenas cinco ou seis eram atendidas
nesse objetivo.

JC - Você observa alguma mudança na perspectiva e motivo que levam as pessoas hoje a procurarem o espiritismo? Ou elas só comparecem em busca de cura ou de comunicação com um amigo ou familiar morto?

FREDERICO MENEZES -
Verificamos que são vários os motivos da procura pelo conhecimento espírita. Embora a busca da cura e do contato com o parente desencarnado continue forte, as angustias e o vazio interior, além da busca pelas respostas a cerca da vida motivam esses interesses. Muitos, também, têm chegado às casas espíritas com problemas espirituais, de relacionamentos familiares, além de carregarem processos obsessivos, ou seja, influências espirituais negativas perturbando a pessoa. Enfim, são diversas as causas que trazem, hoje, as pessoas à fonte cristalina do espiritismo.

JC- Como se formam os médiuns? existem cursos para disciplinar a mediunidade?


FREDERICO MENEZES - Sim, várias instituições desenvolvem estudos e práticas para desenvolver a mediunidade. Allan Kardec asseverava que a mediunidade poderia ser exercitada mesmo por alguém que não apresentasse, de imediato, a faculdade ostensiva. A mediunidade radica-se no organismo, o que significa dizer que uma predisposição orgânica é elemento que se deve levar em conta para entender a amplitude dessa faculdade em algumas pessoas. Nesses estudos da mediunidade aprendemos que ela deve ser exercida com profundo respeito, moralidade, objetivos elevados e nobres, para que se tenha a assistência dos bons espíritos, dando de graça o que de graça recebemos, sem se cobrar pela tarefa mediúnica.

JC - Que análise faz hoje do movimento espírita do Brasil e de Pernambuco?

FREDERICO MENEZES - Em toda parte o espiritismo vem crescendo de maneira dinâmica, assim como temos visto dedicados trabalhadores da causa ampliando o raio de atuação da mensagem espírita. Quanto mais vivermos seus ensinos, melhor o espiritismo chegará aos corações. Não só em Pernambuco e no Brasil, mas em muitos países o espiritismo vem apresentando uma dinâmica interessante, obviamente, que em uns locais temos maiores dificuldades que em outros, porém, na média, guardamos grandes esperanças para a nova era que se avizinha.

JC - Qual o futuro do espiritismo? Ciência, religião ou filosofia?


FREDERICO MENEZES -
O espiritismo é ciência pois, utilizando de métodos científicos, estuda os fatos espíritas, dentro, naturalmente, das características dos fenômenos que não são fenômenos químicos que se podem, a bel prazer, reproduzir-se em laboratórios. Embora muitas pesquisas da sensitividade humana já sejam estudadas em laboratórios de grandes universidades na Europa e nos EUA. O espiritismo é filosofia, pois que desses mesmos fatos deduz-se uma visão de mundo, uma interpretação da vida e uma forma de entender a existência. É também religião porque o resultado de todo esse conhecimento leva a criatura a religar-se com Deus, seu criador, gerando a fé racional, lógica. O futuro que lhe cabe é de espalhar-se em todos os campos do pensamento humano, asseverando a imortalidade do ser e os mecanismos da evolução vista pela ótica espiritual, com isso favorecendo mudança de valores nos ramos do conhecimento humano. Além disso, irá contribuir com outros seguimentos
religiosos no estabelecimento da fraternidade e no resgate das imperecíveis verdades do cristianismo nascente.

JC - Como vê a divulgação do espiritismo em novelas, filmes e livros?


FREDERICO MENEZES - Vejo como resultado da sede das pessoas de entenderem melhor a vida, bem como pelos fatos que avolumam-se, desafiando as interpretações. O espiritismo traz respostas agudas, racionais. É quem melhor explica a diversidade da experiência humana. Aumentam-se as dores e cresce o desafio ante a complexidade da vida. O espiritismo esmiúça com precisão tudo isso. Enxergamos, também, nesse espaço, nos meios de comunicação, o grande interesse da população pelos temas espíritas, além de representar, creio, um planejamento do mundo espiritual, pois são chegados os tempos, dizem eles, em que o materialismo fracassado terá que dar lugar a grande verdade da nossa imortalidade e dos valores superiores
da vida.

JC - Como o espiritismo se relaciona com outras religiões no Cabo de Santo Agostinho?

FREDERICO MENEZES
- Estamos criando um movimento de aproximação entre os segmentos religiosos. É algo ainda delicado, mas importante que se faça. O slogan é O mesmo pai, o mesmo filho, o mesmo amor - o que podemos fazer juntos. Realizamos um seminário que foi maravilhoso, na Câmara de Vereadores do Cabo e agora, a Páscoa com a participação do pároco da cidade, Josivaldo Bezerra, do pastor Erivaldo Alves, da Igreja Batista e eu, representando o pensamento espírita. O adversário nosso é o materialismo, as ideias destrutivas. Podemos somar esforços para disseminar a luz, respeitando-se, naturalmente, as conceituações e interpretações de cada religião. Afinal, Deus não é propriedade de um só pensamento. Estamos felizes por esse esforço construtivo e cheios de esperança, que possa dar frutos abundantes no futuro.

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